Ciranda de Livros promove ação de resistência pela leitura

  • Postado em 3 de setembro de 2019
ciranda de livros

Por Cleiviane Vasconcelos

Em uma sociedade cada vez mais online em que praticamente todos os grupos funcionam por meio das redes sociais, é interessante saber que existem grupos que, apesar da agenda cheia, ainda encontram disponibilidade para se reunir presencialmente e estimular o hábito da leitura. É o caso do coletivo Ciranda de Livros, que há quatro anos se reúne uma vez por mês, na cidade de Juazeiro do Norte, para compartilhar suas experiências literárias.

O grupo foi criado em 2015 com o objetivo de aproximar pessoas com o hábito da leitura. A odontopediatra Aline Alencar, idealizadora do projeto, conta que apesar da vasta atuação no meio digital sentia falta de uma atividade que proporcionasse maior proximidade entre as pessoas. E foi a partir dos encontros presenciais que algumas amizades foram se consolidando. “Minha amizade com Carmem foi através de livros, com Aline também. Aline e eu só nos conhecíamos em ambiente virtual, em clubes de leituras de outros estados, e morávamos na mesma cidade”, declara a escritora Soderlânia de Oliveira.

O objetivo do grupo é aproximar pessoas que tenham o costume de ler, mas também é de acolher quem tenha a intenção de recuperar este hábito, como é o caso da psicóloga Júlia Barreira. Integrada há pouco tempo, Júlia comenta que já há mais de 20 anos não lia outra coisa que não fosse conteúdo técnico, mas que no grupo está encontrando espaço para outro tipo de leitura além da científica.

O nome Ciranda de Livros, segundo Aline de Alencar, surgiu pelo formato dos primeiros encontros, em que os participantes colocavam os livros em uma roda e cada pessoa escolhia uma obra para levar emprestada. No encontro seguinte, discutiam-se os conteúdos lidos e repetiam a ação do mês anterior. Com o passar dos anos, pessoas novas chegaram, algumas partiram, o formato foi se alterando, mas o nome permaneceu, devido o carinho que o grupo assumiu pelo projeto.

Leituras do mês

O encontro de agosto aconteceu no sábado, 24, pela manhã, na Livraria Nobel e teve como mote as HQs (Histórias em Quadrinhos). O tema foi proposto por Diego Azevedo, membro do grupo e curador do mês. Diego comenta que a escolha não foi planejada e que não sabia que seria curador quando lançou a proposta, mas reconhece que a sugestão foi acertada, tendo em vista a receptividade do grupo.

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Reunidos em forma de ciranda, cada um dos 13 participantes expôs o livro e fez um breve relato da história e da experiência com a HQ. A psicóloga Sammyra Santana leu Mônica Tesouros, uma releitura dos personagens de Maurício de Sousa feita pela quadrinista e ilustradora Bianca Pinheiro. “Confesso que teve um estranhamento, eu aprendi a ler com as revistinhas da Turma da Mônica. Pegar uma que tem os traços que não são de Maurício me causou estranhamento, mas depois fui me acostumando e me envolvi bastante. Foi uma experiência bem legal”, declara Sammyra.

Assim como Sammyra, outros participantes relataram que a leitura de HQs foi algo muito presente na infância, o que fez com que a sugestão do mês fosse bem recebida pelo grupo. No entanto, não foram todos que escolheram conteúdos que remetem à infância. Alguns optaram por temas fortes. Foi o caso de Aline Alencar e da professora Flaith Bezerra que leram Maus, obra que trata sobre o holocausto ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, construída a partir de relatos reais. “Apesar de ser suavizado pelos desenhos, Maus mostra horrores da segunda guerra”, comenta Flaith. “É uma história muito densa, Acho que tem que ser lida em algum momento da vida. Ninguém pode morrer sem ler Maus. Vale muito a pena”, complementa Aline Alencar. Sexualidade e gênero também foi um dos temas abordados. Foi o caso da HQ Justin, leitura de Andreia Martins. “A autora aborda o tema transexualidade, é um livro indicado para todas as idades. Pra quem quer conhecer sobre esse assunto vale muito a pena. É um livro essencial”.

Serviço

Para ingressar no grupo é necessário ter disponibilidade para frequentar os encontros presenciais, um sábado por mês, às 10h da manhã, na Livraria Nobel (Rua Padre Cícero, 604 – Centro, Juazeiro do Norte). Mais informações podem ser encontradas pelo Facebook.

 

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